sábado, 1 de agosto de 2009

Mulheres na sua vida...[parte 1]


A primeira mulher na vida de um homem, é a sua mãe. Acho que todos concordam. Esta, independente de suas asneiras, consegue te suportar, ou "amar". Aquela que te ama incondicionalmente, ou por "obrigação"[rs], devido aos laços familiares. Ela te conhece há 12000km de distância, [isso equivale a um Paris-São Paulo]. Não adianta lhe fazer birra, ela conhece seu ponto fraco, te ganha no segundo-tempo, sem direito a acréscimo. AH MINHA MÃE!


Depois, aparecem outras, que te olham diferente, querendo te dar uma nova forma de amor. Você sente emoções novas, suas atitudes por conta disso, evoluem, as vezes para melhor ou pior. Tudo depende da dose desse novo amor. Na verdade, existem tipos diferentes, varia conforme a fonte. O primeiro amor não-familiar, é divino! repleto de novidade, todos os tipos de emoções te envolvem, desde medo, insegurança, até curiosidade, ansiedade, etc...



Ela te apareceu, você sem experiência nenhuma, aliás não te deram manual para esse tipo de situação. Você pensava que existiria uma frase mágica, ou um jeito de se portar que serviria de código de compreensão, mil e uma imaginações. Bobagem! Não adianta seguir os conselhos dos outros, ela gostou de você, não do seu irmão mais velho te dizendo como agir. Ela foi a primeira, te amou por ser o carequinha e ter orelhas de elefante extra-destacáveis. Você só pensava no futebol, video-game. Conseguia fazer piadas engraçadas de tudo e todos, mas na frente dela travava. Putz, porque eu disse isso ou não disse?! Deitado na cama, antes de fechar os olhos para sonhar com ela, pensa e elabora um plano maravilhoso de conseguir a atenção dela. Utopia radical dentro da sua mente, a cena que você consegue montar nunca sai do campo imaginário. Apesar de que não é por falta de tentativa, simplismente, no ápice da sua Utopia, você desconsiderou algumas variáveis(medo de dar errado), e lá se vai uma cena do seu longo filme de amor.

Com o passar do tempo, o que te fazia parar o coração, se torna um hábito prazeroso, é como escrever um livro, no começo tudo é rascunho, aos poucos o rascunho vira livro, e as frases se encaixam, satisfazendo escritor/leitor... o que falar do beijo? começa no "selinho", até virar beijo profissional(compreende todos os tipos possíveis e imagináveis) satisfazendo assim ambas as partes, ou não..

Se não, ahh é hora de partir para outros horizontes. Geralmente, acontece assim, casos clássicos, o bohêmio se muda, ou a nômade tem um pai que foi contratado para trabalhar em outro Estado.[...pobrezinho, é hora de seguir em frente].

Seu cabelo cresceu, suas orelhas se camuflam dentro do seu novo "look rock star", você tem na mão agora uma guitarra, sua banda se chama "banda band-aid - vai curar suas feridas", na escola, a moda é colar band-aid no tênis e animar as fãs com novas músicas repletas de frivolidade. Você reconhece o peso da fama, renova o guarda roupa, elas se interessam pelo seu mais novo cheirinho(Azzaro). Trocando papelzinho na sala, aula da "old woman" prof de matemática - chata! Você escreve que ficou com uma menina linda no seu curso de inglês, mas que agora está sozinho(como quem diz, fica comigo). Ela entendeu a mensagem(seu sacana), te respondeu, "irei para biblioteca no final da aula". Pela primeira vez você percebe que a biblioteca tem outras finalidades. Esse foi seu primeiro amor inteligente, rs.

O filme continua rodando, você não imagina tanto as coisas como antes, tudo acontece sem previsão. Seu coração é do acaso, ela olhou, você gostou, "amor efémero". Esse capítulo é curto, mas volta com frequência. Suas tentativas nem sempre bem sucedidas no amor, te fazem retornar nesse tipo de cena.

............................... CONTINUA ..............................

Caridade

Era um dia um sacerdote, que pregava a caridade.
"- A caridade, dizia ele, deve ser exercida sempre e apesar de tudo"
Vai um caboclo, que o ouvira atentamente, perguntou-lhe depois do sermão:
"- Ó sôr padre, é caridade enterrar os mortos?"
"- De certo, respondeu o pregador; é uma obra de misericordia".
E o caboclo saiu, matou uma raposa e foi esperar o sacerdote na estrada; quando sentiu que ele se aproximava, pôs a raposa no meio do caminho e escondeu-se no mato. O padre ao topar com ela e observando que estava morta, ajoelhou-se, e cavou no chão, enterrou-a e, depois de dizer uma sentença religiosa, seguiu o seu caminho. O caboclo, assim que o viu pelas costas, correu à sepultura, sacou a raposa e, ganhando por um atalho, foi mais adiante e jogou com ela ao meio da estrada, antes que o pregador tivesse tempo de chegar; este, porém, não tardou muito e, ao ver de novo uma raposa no caminho,fez o que fizera da primeira vez, enterrou-a, mas sem se ajoelhar, nem repretir a sua máxima latina. O caboclo deixou-o seguir, tomou de novo da raposa e foi depô-la mais para adiante na estrada; o padre ao topá-la, enterrou-a já de mau humor e prosseguiu receoso de encontrar outras raposas mortas. Todavia, o caboclo não estava ainda satisfeito e repetiu a brincadeira; mas, desta vez, o padre perdeu de todo a paciência e, tomando a raposa pelo rabo, lançou-a ao mato com estas palavras: "Leve o diabo TANTA raposa morta!" Então ocaboclo lhe apareceu e disse: "- Já vejo que enterrar um morto é obra de caridade, mas fazer o mesmo quatro ou cinco vezes é nada menos do que uma formidável estopada!" Ao que o sacerdote respondeu que, desde que houvesse abuso da parte do protegido, era natural que o protetor se enfastiasse...

[trecho de O Coruja, de Aluisio Azevedo]

A caridade é muito facil de ser exercida e chega a ser até consoladora e divertida, mas só enquanto não se converte em maçada.

Qual é então a verdadeira caridade? Apenas aquela que nos traz prazer ao ego?

Pensem nisso ...